segunda-feira, 2 de maio de 2011

Com o papa, firmes na fé: Rumo a Madrid!

No dia 16 de abril, sábado, véspera do Domingo de Ramos, tivemos na Paróquia São Judas Tadeu, em Icaraí, um encontro de preparação para a Jornada Mundial de Jovens, a ser realizado em agosto em Madri, na Espanha. Muitos jovens da nossa Arquidiocese de Niterói estarão presentes, por vários grupos, representando diversas paróquias e espiritualidades.
A ideia deste encontro era justamente apresentar esses grupos uns aos outros, para que os jovens da Arquidiocese já se conheçam antes de viajarem para a Jornada Mundial. Foi portanto uma oportunidade única para trocar expectativas, partilhar experiências e motivar-nos mutuamente.
O evento começou às 9h30min, e contou com a presença de jovens de todos os Vicariatos. Ao todo, foram 83 inscritos. Intercalamos momentos de espiritualidade, como a adoração ao Santíssimo, com outros de lazer, como um quiz com perguntas sobre as JMJ’s. Tratamos dos assuntos práticos sobre a viagem e da nossa preparação espiritual para aproveitar bem a peregrinação. Tivemos momentos de partilha sobre as maneiras pelas quais os jovens têm conseguido arrecadar fundos, com a ajuda dos párocos e das comunidades, e também sobre como podemos irradiar nossas experiências depois que voltarmos, por exemplo no DNJ, ou mesmo nas nossas paróquias.
O encontro foi encerrado no fim da tarde com a santa missa presidida pelo nosso arcebispo, Dom Alano, que ressaltou o sentido da Jornada Mundial de Jovens: vamos ao encontro do sucessor de Pedro, hoje Bento XVI, para que ele nos confirme na fé em Cristo, nosso Senhor. Antes da missa, aproveitamos a presença de Dom Alano para fazer a nossa foto oficial, que dá uma boa mostra de como a Arquidiocese de Niterói estará bem representada em Madri.



quarta-feira, 27 de abril de 2011

Frente a frente, Jesus e Pilatos: quem está livre e quem está preso?

Façamos nossa páscoa, isto é, nossa passagem, como Cristo, que passou deste mundo para o Pai (Jo 13,1). Nós o fazemos quando passamos da nossa vontade para a vontade de Deus; então sim, quando morremos para nós, para os nossos interesses, então ressuscitamos com Cristo para uma vida nova, uma vida de reinado pelo serviço por amor, na vontade de Deus.E assim podemos de fato chamar a Deus de Pai e rezar: “seja feita a vossa vontade”.
Jesus é totalmente livre e nos ensina a liberdade verdadeira. Frente a frente, nós vemos Jesus atado e Pilatos no trono. Jesus está amarrado e ameaçado de morte no banco dos réus. Pilatos é o governador da província da Judeia, está sentado no trono com a autoridade de César e tem um exército de respeito sob seu comando. E no entanto, ao vê-los frente a frente, perguntemo-nos: quem está livre e quem está preso?
Pilatos não tinha nenhum poder, pois tinha medo. Disse a Jesus que tinha autoridade para prendê-lo ou soltá-lo; pois bem, então por quenão o soltou? Afinal, a própria Escritura reconhece que Pilatos sabia que Jesus era inocente e tentava libertá-lo. Não o fez por medo da multidão que pedia sua crucificação. Não quis se comprometer, lavou suas mãos covardemente.
Jesus, ao contrário, é o homem perfeitamente livre. Mesmo que o ameaçassem de morte, Ele estava em paz, pois sabia que cumpria a vontade do Pai. Tudo em sua vida era ação de graças ao Pai, amor, perdão. Não ameaçou, não devolveu as injúrias. Mesmo hostilizado e diante da fúria dos inimigos manteve a serenidade, pois sabia que o Pai estava com Ele.
Durante a nossa caminhada na terra, acompanhemos Jesus, como as mulheres, especialmente Santa Maria, ou como João apóstolo, ou como Simão Cireneu.Aliás, parece-me providencial o nome do Cireneu – Simão –, pois era Simão Pedro quem deveria ajudar Jesus com a cruz. E hoje também, somos nós, a Igreja. Não façamos caso da indiferença da maioria, não tenhamos medo nem do escárnio de alguns. Acompanhemos Jesus e o aclamemos como nosso Senhor também onde Ele é hostilizado. Caso contrário, seremos discípulos medrosos, ou pior, seremos como Pilatos, que reconhecia a inocência e a bondade de Jesus, mas não quis se comprometer. Fé cristã é compromisso.
Se não nos envergonhamos de Jesus neste nosso mundo nem sempre cristão, também Cristo não se envergonhará de nós diante do Pai. Mas se nos envergonhamos d’Ele aqui, também Ele se envergonhará de nós junto do Pai. Que essa desgraça não nos aconteça.
Vemos assim como a Via Crucis é uma alegoria da presença de Jesus do mundo em que vivemos. Enquanto Jesus passava com a cruz, muitos escarneciam, a maioria era-lhe indiferente, cuidava de si. Outros aproximavam-se curiosos, mas não passavam disso. Mas alguns o acompanharam. Hoje a mesma coisa acontece. Alguns escarnecem da fé cristã, a maioria é indiferente, vai cuidar da própria vida. Alguns até se aproximam curiosos, mas não se comprometem. Quanto a nós, somos chamados a acompanhar Jesus em seu caminho pelo mundo, mesmo hostilizados, ajudando-O a carregar a sua cruz.
Todos os cristãos carregamos a mesma cruz: a de Cristo. Cada um tem a sua, umas mais pesadas que outras. Mas se realmente somos irmãos, carregamos os fardos uns dos outros, e assim cumprimos a lei de Cristo. No fundo, todas as nossas cruzes são uma só: a cruz de Cristo. No fim das contas, não sabemos se nós o ajudamos, ou se é Ele quem nos ajuda. De qualquer modo, cabe-nos a disponibilidade de ajudá-lo; isso é ser cristão: acompanhá-Lo.
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segunda-feira, 28 de março de 2011

Cristo e o testemunho dos profetas

Lendo o Evangelho, não é difícil perceber como Jesus é apresentado – e apresenta a si mesmo – como aquele de quem falam os profetas. Mais que um grande profeta, Jesus é o alvo das profecias. Sendo a Palavra que se faz carne, é nele que todas as profecias se cumprem. Todos os profetas o apontam, e não apenas com suas palavras, mas também com sua vida (e João Batista também com o dedo).
Assim se vê a lógica de todos os profetas terem sido mortos em Jerusalém, perseguidos, tratados com desprezo e zombaria. Assim se entende a palavra dada a Isaías, e que introduz, nos Evangelhos sinóticos, as parábolas de Jesus. Estas servem para que os homens não o compreendam e não se convertam (Mt 13, 1-23 e paralelos). Só cumprindo o destino da morte de cruz será desvelada a verdade. O grão de trigo precisa morrer para dar fruto (Jo 12, 24).
Tomando um exemplo bem claro, vemos Is 53, citado inclusive nos Atos. O texto narra o destino do Servo sofredor. Hoje lemos o texto à luz do Evangelho e não é nada difícil ver que o profeta prenuncia Jesus. Chegamos a esquecer que tal texto foi produzido muitos séculos antes de Jesus. E é curioso perceber como nunca os judeus poderiam conceber que este personagem seja rigorosamente o mesmo que o Messias esperado, o rei e sacerdote a quem é concedido todo poder e honra. E de fato, à pergunta do eunuco (At 8, 26-40), as duas respostas são possíveis, e talvez sejam complementares para o anúncio autêntico do Evangelho. Todas as profecias falam sobre Jesus (Lc 24, 25-27).
Assim Jesus amarra em si todo o Antigo Testamento. Ele é o “mais belo dentre os filhos dos homens” (Sl 44), mas é também aquele “que não tinha graça que pudesse atrair nosso olhar, desprezado como um verme, sem figura humana, como alguém de quem escondemos o rosto” (Is 53).

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sentido da Quaresma (tópicos para 1º Domingo)

1º Domingo da Quaresma
      
Para compreender quem é e o que fez Cristo, é preciso compreender onde estava o homem sem Ele. Estava na situação de Adão. E Cristo nos liberta do pecado original e portanto da morte.
Costumo falar muito em Adão; é alegoria ou é texto literal? Nem lá nem cá. Vejamos o que diz o Catecismo: n. 390, após falar do homem, ao falar da queda:
“O relato sobre a queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no início da história do homem. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente pelos nossos primeiros pais.”
Nem lá, nem cá. Aquilo de que a Igreja não pode abrir mão é da doutrina do pecado original, fato histórico ocorrido nos primórdios. Nem chega a afirmar o monogenismo, mas vê dificuldades em conciliar o poligenismo com essa doutrina.
O mais importante nisso tudo: a doutrina do pecado original é revelada por Cristo, e só por ele. O texto fundamental (não o único, mas o principal) do pecado original não é Gn 3, mas sim Rm 5. É ali que Paulo insiste repetidamente: pecado de Adão, graça de Cristo muito maior.
Eis o Deus que se faz homem. Tendo expulsado o homem do paraíso, como quem referenda sua decisão de esconder-se, sai de si e desce ao deserto ao encontro desse mesmo homem; não o abandona.
Espírito o impele ao deserto para ser tentado. Notável. Isso para vencer a tentação, dar-nos o exemplo, mostrar a que veio e a que não veio. E o diabo se expõe, destila seu veneno, mostra suas fraquezas, sua revolta, seu ressentimento, suas carências, bem como sua malícia e sutileza.
Jesus não veio para beneficiar a si mesmo (bem ao contrário!), nem para convencer por obras admiráveis e espantosas, nem para conquistar o mundo a qualquer custo; Deus em primeiro lugar.
Caminhemos com ele no deserto, e não sozinhos, pois seremos vítimas de satanás. Não precisamos temê-lo. Quem teme a Deus não precisa ter medo de satanás, nem de nada. Caminhemos com Cristo, e não precisamos ter medo do deserto. Ele nos conduz de novo ao Éden, ao paraíso na amizade com Deus.
Eis nossa vida na terra, e assim o período da quaresma nos aparece como uma imagem litúrgica da nossa caminhada na terra. A Quaresma é caminhada para a Páscoa, e nossa vida é caminhada para a vida eterna. Não há Páscoa sem paixão e morte de cruz, como para nós não há ressurreição e vida eterna sem morte para este mundo. A morte é apenas passagem, por isso não tememos nem nos desesperamos. Aliás, Páscoa significa precisamente isto: passagem, da morte para a vida.
Na quaresma somos chamados a sacrifícios e privações, assim como na vida. Mas mesmo aí mantemos a alegria. É tempo de empenho e reflexão, mas não de desânimo ou abatimento. É renovação do batismo, no qual morremos e ressuscitamos com Cristo. Vemos a quaresma não como um fardo pesado, mas como um dom precioso, uma graça e oportunidade para aprofundar nossa comunhão com Deus, escutar o que nos diz pela sua Palavra, desapegar-nos das coisas supérfluas e passageiras desta terra.
Façamos nossos propósitos de esmola, jejum e principalmente oração. E dentre as propostas de oração, a minha sugestão: contato diário com a Palavra de Deus, pelo menos 5 minutos por dia – todo dia. Mas qual texto? O melhor é que seja o da liturgia do dia (ao menos o Evangelho). Quem medita 1ª leitura, salmo e evangelho, 20 minutos por dia na quaresma já está bem, com um ótimo propósito.
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Celibato só por amor a Deus

É possível encontrar padres que, para defender o celibato eclesiástico, argumentam que até por motivos menores outras pessoas renunciam ao casamento. Por exemplo, para dedicar-se a uma carreira, seja militar, diplomática, ou qualquer outra. O raciocínio é simples: se para estas coisas é compreensível que um homem ou mulher abdiquem do casamento, de ter um esposo ou esposa e filhos, com muito maior razão alguém poderia renunciar ao casamento e aos filhos por amor ao Reino dos Céus, como é o caso dos sacerdotes, religiosos e religiosas.
Mas este argumento não é adequado; talvez não seja sequer válido. E certamente não pode ser invocado para defender o celibato eclesiástico. Este não precisa de outros argumentos racionais. Sua única razão e fundamento é, como disse o Senhor, “o amor ao Reino dos Céus”, e isto é mais do que suficiente. Eu, como Paulo, não me envergonho do Evangelho (cf. Rm 1). Para outros ele pode ser loucura ou escândalo. Não tentarei argumentar racionalmente com estes para demonstrar-lhes que não, que o Evangelho é razoável. De fato o é, mas que continuem pensando que é loucura e escândalo. Eu não me envergonho, repito, do Evangelho e não faço nenhuma questão de torná-lo mais palatável aos que o consideram loucura ou escândalo. O Evangelho nos interpela; que cada um trate de fazer o seu juízo e suas opções, e que ninguém tenha a pretensão de carregá-lo no bolso.
Invocar o exemplo de pessoas que tenham renunciado ao casamento por outras carreiras é impróprio, pode soar até ridículo. E sobretudo, não é cristão, não tem qualquer base na fé cristã. O amor incondicional só é devido a uma outra pessoa, nunca a uma instituição, por maior que seja, nem a uma nação, nem mesmo a um ideal, por mais nobre que seja.
Ou seja, existe apenas um motivo razoável para uma pessoa sadia renunciar ao casamento deliberadamente: por amor a Deus, “por amor ao Reino dos Céus”, como disse Jesus. Qualquer outro motivo é fora de propósito. Em outras palavras, quem renuncia ao casamento preferindo uma carreira qualquer escolhe mal, não sabe o que prefere. São palavras duras, mas é a verdade.
Quem renuncia ao matrimônio por amor ao Reino dos Céus escolhe a Deus, em primeiro lugar, e põe todo o resto em segundo plano. Não abandona o mundo, mas anuncia profeticamente a relatividade de todas as criaturas diante do Criador de todas elas. Escolhe uma pessoa, ou melhor, o próprio Deus, Uno e Trino, como grande amor de sua vida.
Pois bem, e quem casa? Quem casa diz não a Deus? Ao contrário, quem casa escolhe a Deus, assume um sacramento, um caminho de santidade ao lado de um companheiro ou companheira, vincula-se de maneira definitiva a uma outra pessoa, a quem servirá com amor, fidelidade e respeito para levá-la ao céu, junto com seus filhos. O matrimônio é sacramento de serviço, como o sacramento da ordem; é também uma bênção imensurável de Deus.
E aquele que não casa nem se consagra a Deus? Este escolheu o que? Ama de todo coração a quem? À filosofia, como Kant? A uma nação, a uma instituição qualquer? Quem faz este tipo de opção escolhe muito mal, e não pode servir de exemplo para ninguém, muito menos de argumento para a defesa do celibato eclesiástico. Por mais nobre que um ideal seja, não é digno do amor incondicional de uma pessoa. Só outra pessoa é digna deste amor.
Havia entre os antigos rabinos uma sentença que hoje provocaria escândalo e repulsa nas mais diversas frentes: “Um homem que não tenha sua mulher sequer pode ser chamado de homem”. Mesmo dentro da Igreja esta sentença seria rejeitada por muitos com vigor, para ressalvar o celibato eclesiástico de bispos, padres, religiosos e religiosas. Mas não é preciso. Esta frase, ouso dizer, não se contrapõe ao catolicismo, nem ao celibato. Basta compreendê-la no seu contexto de preparação evangélica. A sentença está no âmbito natural; mas então vem o sobrenatural, e dá-lhe nova dimensão. O sobrenatural, porém, não é contra a natureza. Ou seja, a sentença segue válida e verdadeira, desde que se lhe faça o acréscimo do Evangelho. Em outras palavras, bastaria dizer: “Um homem que não tenha sua mulher sequer pode ser chamado de homem, a não ser que tenha renunciado ao amor de uma mulher para consagrar-se ao Reino dos Céus, ou seja, por amor a Deus”.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Por que ir à Jornada Mundial dos Jovens?

Que vamos fazer lá em Madrid, em agosto? Encontrar-nos com o Papa, mas não só isso. Trata-se de um encontro de jovens católicos de todo o mundo, no qual o Papa também estará presente, como um convidado eminente. É reunião em que jovens se encontram para celebrar a fé comum, partilhar suas diferentes experiências, suas riquezas culturais variadas, exortarem-se uns aos outros à fidelidade a Deus. E o Santo Padre não poderia deixar de comparecer a uma ocasião como esta, para confirmar suas ovelhas na fé, o que é o papel principal do sucessor de Pedro.
Não se trata de “tietagem”, nem “culto à personalidade”, idolatria de um ídolo pop ou coisa do gênero. Vamos até lá para que o papa nos conduza a Cristo, Nosso Deus e Senhor. Ele há de nos confirmar na fé. Cf Lc 22, 31-34; Jo 21, 15-17; Lc 24, 13-35; Cl 1, 21-23.
Quando um grupo jovem de uma paróquia caminha sozinho, a tentação do desânimo é mais forte. Quando vemos que na nossa diocese há, nas paróquias vizinhas, outros tantos jovens com seus grupos, vivendo a mesma alegria da fé em Cristo, mas também passando pelas mesmas dificuldades, nosso ânimo é renovado. Com maior razão, participar de um evento de proporções mundiais, testemunhando a fé comum de tantos jovens diferentes, das regiões mais distantes do planeta, é um grande incentivo ao entusiasmo da nossa fé em Nosso Senhor. Experimentamos de maneira extraordinária a catolicidade da nossa Igreja, e dessa incrível diversidade colhemos a sua unidade.
Esse é o sentido de participar de uma Jornada Mundial de Jovens, com a presença do Santo Padre. E isso não tem preço, se há de nos ajudar a ser católicos mais fervorosos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Acorramos ao presépio

Contemplando o presépio vemos a grandeza de Deus e o quanto Ele foi capaz de se rebaixar por amor a nós, seus filhos. Ali, de fato, seu poder se manifesta na fraqueza (cf. 2 Cor 12, 9).
Deus todo-poderoso se faz homem e não escolhe uma nação forte e poderosa, mas Israel, talvez a menos e mais desprezível das províncias romanas da época. Não faz questão dos palácios, mas vem a uma manjedoura. Apesar de estar privado de quase tudo, não se incomodou de ali nascer, porque encontrou o essencial: os corações amorosos de uma mãe e de um pai, Maria e José.
Toda a criação vem prestar sua homenagem ao menino Jesus: os pastores, que manifestam a presença dos pobres e excluídos; e os magos, símbolo dos nobres e poderosos, e também dos povos mais distantes. Até os animais vêm reverenciar seu Criador, aquele menino. E mesmo os astros! Diz um autor espiritual dos primeiros séculos que o nascimento de Cristo aboliu a astrologia. Tudo o que os astros, criaturas de Deus, poderiam indicar aos homens, já foi indicado por aquela estrela que guiou os magos até o menino Jesus. Como se as estrelas estivessem a dizer: se quiserem olhar para nós em busca de respostas, vejam como nos inclinamos diante deste presépio, aprendam a reverenciar o Criador de todas as coisas, e saibam onde encontrar a Verdade que procuram. Foi o que a multidão dos anjos proclamou nesta ocasião, indo também eles ao encontro do seu Senhor, ainda uma criança.
O presépio também prenuncia toda a vida de Jesus. Sua pobreza e abandono pelos homens (“não havia lugar para eles na hospedaria”, Lc 2, 7) é um sinal do abandono total da cruz. Seu nascimento numa manjedoura, lugar onde se dispõem os alimentos para os animais, é como um símbolo de que Ele é o nosso alimento, o Pão da Vida. E ainda mais nascido na cidade de nome Belém, que significa, em hebraico, “casa do pão”. A perseguição de Herodes, que leva a Sagrada Família a fugir para o Egito, é um prenúncio das perseguições e ciladas de que Jesus será vítima. E com não ver a profecia de Simeão – sobre uma espada a atravessar a alma da Virgem Maria – cumprida aos pés da cruz?
Por outro lado, a ressurreição gloriosa de Cristo e a nossa reconciliação com Deus também estão presentes já nos inícios da vida de Jesus, por exemplo nos anjos que anunciam com alegria o nascimento do Salvador aos pastores e proclamam: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”, como nós repetimos com júbilo em nossas celebrações.
Neste Natal, não sejamos como aqueles que fecharam suas portas ao menino Jesus. Façamos como os pobres pastores, como os grandes magos, como a multidão dos anjos, como os animais da terra e as estrelas do céu, e vamos ao encontro daquele menino envolto em faixas, sob os cuidados de seu pai e sua mãe. Contemplemos o presépio e recordemos todo o amor de Deus por nós, que o fez entregar em nossas mãos seu grande tesouro, o Seu Filho amado.